Jó 34
A1911C · Almeida 1911 — Ortografia atualizada (Edição Concordância), 1911
Respondeu mais Eliú, e disse: Ouvi, vós, sábios, as minhas razões: e vós, entendidos, inclinai, os ouvidos para mim. Porque o ouvido prova as palavras, como o paladar gosta a comida. O que é direito escolhamos para nós: e conheçamos entre nós o que é bom. Porque Jó disse: Sou justo; e Deus tirou o meu direito. No meu direito me é forçoso mentir: dolorosa é a minha frechada sem transgressão. Que homem há como Jó, que bebe a zombaria como água? E caminha em companhia com os que obram a iniquidade, e anda com homens ímpios? Porque disse: De nada aproveita ao homem o comprazer-se em Deus. Pelo que vós, homens de entendimento, escutai-me: Deus esteja longe da impiedade, e o Todo-poderoso da perversidade! Porque, segundo a obra do homem, ele lho paga; e segundo o caminho de cada um lho faz achar. Também, na verdade, Deus não obra impiamente; nem o Todo-poderoso perverte o juízo. Quem lhe pedia conta do governo da terra? e quem dispôs a todo o mundo? Se pusesse o seu coração contra ele, recolheria para si o seu espírito e o seu fôlego. Toda a carne juntamente expiraria, e o homem se voltaria para o pó. Se pois há em ti entendimento, ouve isto; inclina os ouvidos à voz do meu discurso. Porventura o que aborrece o direito ataria as feridas? e tu condenarias aquele que é justo? Ou dir-se-há a um rei, Oh! Belial? aos príncipes, Oh! ímpios? Quanto menos àquele, que não faz acepção das pessoas de príncipes, nem estima o rico mais do que o pobre; porque todos são obras de suas mãos. Eles num momento morrem; e até à meia noite os povos são perturbados, e passam, e o poderoso será tomado sem mão. Porque os seus olhos estão sobre os caminhos de cada um, e ele vê todos os seus passos. Não há trevas nem sombra de morte, onde se escondam os que obram a iniquidade. Porque não se faz tanto caso do homem que contra Deus possa entrar em juízo. Quebranta aos fortes, sem que se possa inquirir, e põe outros em seu logar. Ele conhece pois as suas obras, de noite os transtorna, e ficam moídos. Ele os bate como ímpios que são, no logar dos expetadores: Porquanto se desviaram de atrás dele, e não compreenderam nenhum de seus caminhos. Para fazer que o clamor do pobre subisse até ele, e que ouvisse o clamor dos aflitos. Se ele aquietar, quem então inquietará? se encobrir o rosto, quem então o poderá contemplar, seja para com um povo, seja para com um homem só? Para que o homem hipócrita nunca mais reine, e não haja laços do povo. Na verdade, quem a Deus disse: Suportei castigo, não perecerei. O que não vejo, ensina-mo tu: se fiz alguma maldade, nunca mais a hei de fazer. Virá de ti como o recompensará, pois tu o desprezas? farias tu pois, e não eu, a escolha: que é logo o que sabes? fala. Os homens de entendimento dirão comigo, e o varão sábio me ouvirá. Jó falou sem ciência; e às suas palavras falta prudência. Pai meu! provado seja Jó até ao fim, para as suas respostas entre os homens malignos. Porque ao seu pecado acrescenta a transgressão; entre nós bateria as palmas das mãos, e multiplicaria contra Deus as suas razões.
Almeida 1911 — Ortografia atualizada. Edição © 2026 Concordância. Atualização ortográfica feita pela Concordância, com auxílio de IA e revisão. Texto-base: Almeida, Edição Revista e Corrigida (1900/1911), domínio público; transcrição do Projeto Gutenberg (#62383).