Isaías 33
A1911C · Almeida 1911 — Ortografia atualizada (Edição Concordância), 1911
Ai de ti desolador, que não foste desolado, e que obras perfidamente contra os que não obraram perfidamente contra ti! acabando tu de desolar, serás desolado: e, acabando tu de tratar perfidamente, se tratará perfidamente contra ti. Senhor, tem misericórdia de nós, por ti temos esperado: sê tu o seu braço nas madrugadas, como também a nossa salvação no tempo da tribulação. À voz do arruído fugirão os povos: à tua exaltação as gentes serão dispersas. Então ajuntar-se-há o vosso despojo como se apanha o pulgão: como os gafanhotos saltam, ali saltará. O Senhor está exalçado, pois habita nas alturas: encheu a Sião de juízo e justiça. E será que a firmeza dos teus tempos, e a força das tuas salvações, será a sabedoria e a ciência: e o temor do Senhor será o seu tesouro. Eis-que os seus embaixadores estão clamando de fora; e os mensageiros de paz estão chorando amargamente. As estradas estão desoladas, cessam os que passam pelas veredas: desfaz a aliança, despreza as cidades, e a homem nenhum estima. A terra geme e pranteia, o Líbano se envergonha e se murcha; Sarom se tornou como um deserto; e Basã e Carmelo foram sacudidos. Agora pois me levantarei, diz o Senhor: agora serei exaltado, agora serei posto em alto. Concebestes palha, parireis pragana: e o vosso espírito vos devorará como fogo. E os povos serão como os incêndios de cal: como espinhos cortados arderão no fogo. Ouvi, vós os que estais longe, o que tenho feito: e vós, que estais vizinhos, conhecei o meu poder. Os pecadores de Sião se assombraram, o tremor surpreendeu os hipócritas. Quem dentre nós habitará com o fogo consumidor? quem dentre nós habitará com as labaredas eternas? O que anda em justiça, e o que fala equidades; o que arremessa para longe de si o ganho de opressões; o que sacode das suas mãos todo o presente; o que tapa os seus ouvidos para não ouvir acerca de sangue e fecha os seus olhos para não ver o mal, Este habitará nas alturas, as fortalezas das rochas serão o seu alto refúgio, o seu pão se lhe dá, as suas águas são certas. Os teus olhos verão o Rei na sua formosura, e verão a terra que está longe. O teu coração considerará o assombro, dizendo: Onde o escrivão, onde o pagador? onde o que conta as torres? Não verás mais aquele povo espantável, povo de fala tão profunda, que não se pode perceber e de língua tão estranha que não se pode entender. Olha para Sião, a cidade das nossas solenidades: os teus olhos verão a Jerusalém, habitação quieta, tenda que não será derribada, cujas estacas nunca serão arrancadas, e de cujas cordas nenhuma se quebrará. Mas o Senhor ali nos será grandioso, logar de rios e correntes largas será: barco nenhum de remo passará por eles, nem navio grande navegará por eles. Porque o Senhor é o nosso Juiz: O Senhor é o nosso Legislador: O Senhor é o nosso Rei, ele nos salvará. As tuas cordas se afrouxaram: não puderam ter firme o seu mastro, e vela não estenderam: então a preza de abundantes despojos se repartirá; e até os coxos roubarão a preza. E morador nenhum dirá: Enfermo estou; porque o povo que habitar nela será absolto de iniquidade.
Almeida 1911 — Ortografia atualizada. Edição © 2026 Concordância. Atualização ortográfica feita pela Concordância, com auxílio de IA e revisão. Texto-base: Almeida, Edição Revista e Corrigida (1900/1911), domínio público; transcrição do Projeto Gutenberg (#62383).