Pular para o conteúdo

Jó 3

A1911C · Almeida 1911 — Ortografia atualizada (Edição Concordância), 1911

Cada trecho da faixa é uma época. Passe o mouse, toque ou use as setas para ver o nome e o período. O ponto cheio marca quando o episódio acontece; o anel, quando o livro foi escrito. Sem data certa — Jó e os três amigos dialogam sobre o sofrimento Escrito: c. 1450–1000 a.C. (tradição) · c. 600–400 a.C. (pesquisa)
Jó amaldiçoa o seu nascimento e lamenta a sua miséria

Depois disto abriu Jó a sua boca, e amaldiçoou o seu dia. E Jó respondeu, e disse: Pereça o dia em que nasci, e a noite em que se disse: Foi concebido um homem! Converta-se aquele dia em trevas; e Deus de cima não tenha cuidado dele, nem resplandeça sobre ele a luz. Contaminem-no as trevas e a sombra de morte; habitem sobre ele nuvens: a escuridão do dia o espante! A escuridão tome aquela noite, e não se goze entre os dias do ano, e não entre no número dos meses! Ah que solitária seja aquela noite, e suave música não entre nela! Amaldiçoem-na aqueles que amaldiçoam o dia, que estão prontos para levantar o seu pranto. Escureçam-se as estrelas do seu crepúsculo; que espere a luz, e não venha: e não veja as pestanas dos olhos da alva! Porque não fechou as portas do ventre; nem escondeu dos meus olhos a canceira? Porque não morri eu desde a madre? e em saindo do ventre, não expirei? Porque me receberam os joelhos? e porque os peitos, para que mamasse? Porque já agora jazera e repousará; dormiria, e então haveria repouso para mim. Com os reis e conselheiros da terra, que se edificavam casas nos logares assolados, Ou com os príncipes que tinham ouro, que enchiam as suas casas de prata, Ou como aborto oculto, não existiria: como as crianças que não viram a luz. Ali os maus cessam de perturbar: e ali repousam os cansados. Ali os presos juntamente repousam, e não ouvem a voz do exator: Ali está o pequeno e o grande, e o servo fica livre de seu senhor. Porque se dá luz ao miserável, e vida aos amargosos de ânimo? Que esperam a morte, e não se acha: e cavam em busca dela mais do que de tesouros ocultos: Que de alegria saltam, e exultam, achando a sepultura: Ao homem, cujo caminho é oculto, e a quem Deus o encobriu? Porque antes do meu pão vem o meu suspiro: e os meus gemidos se derramam como água. Porque o temor que temo me veio: e o que receava me aconteceu. Nunca estive descansado, nem soceguei, nem repousei, mas veio sobre mim a perturbação.

Almeida 1911 — Ortografia atualizada. Edição © 2026 Concordância. Atualização ortográfica feita pela Concordância, com auxílio de IA e revisão. Texto-base: Almeida, Edição Revista e Corrigida (1900/1911), domínio público; transcrição do Projeto Gutenberg (#62383).