Pular para o conteúdo

Jó 16

A1911C · Almeida 1911 — Ortografia atualizada (Edição Concordância), 1911

Cada trecho da faixa é uma época. Passe o mouse, toque ou use as setas para ver o nome e o período. O ponto cheio marca quando o episódio acontece; o anel, quando o livro foi escrito. Sem data certa — Jó e os três amigos dialogam sobre o sofrimento Escrito: c. 1450–1000 a.C. (tradição) · c. 600–400 a.C. (pesquisa)
Jó acusa a seus amigos de falta de compaixão e misericórdia

Então respondeu Jó, e disse: Tenho ouvido muitas coisas como estas: todos vós sois consoladores molestos. Porventura não terão fim estas palavras de vento? ou que te irrita, para assim responderes? Falaria eu também como vós falais, se a vossa alma estivesse em logar da minha alma? ou amontoaria palavras contra vós, e menearia contra vós a minha cabeça? Antes vos fortaleceria com a minha boca, e a consolação dos meus lábios abrandaria a dor. Se eu falar, a minha dor não cessa, e, calando-me eu, que mal me deixa? Na verdade, agora me molestou: tu assolaste toda a minha companhia. Testemunha disto é que já me fizeste enrugado, e a minha magreza já se levanta contra mim, e no meu rosto testifica contra mim. Na sua ira me despedaçou, e ele me perseguiu; rangeu os seus dentes contra mim: aguça o meu adversário os seus olhos contra mim. Bocejam com a sua boca contra mim; com desprezo me feriram nos queixos, e contra mim se ajuntam todos. Entrega-me Deus ao perverso, e nas mãos dos ímpios me faz cair. Descansado estava eu, porém ele me quebrantou; e pegou-me pela cerviz, e me despedaçou; também me pôs por seu alvo. Cercam-me os seus frecheiros; atravessa-me os rins, e não me poupa, e o meu fel derrama em terra. Quebranta-me com quebranto sobre quebranto: arremete contra mim como um valente. Cosi sobre a minha pele o saco, e revolvi a minha cabeça no pó. O meu rosto todo está descorado de chorar, e sobre as minhas pálpebras está a sombra da morte: Não havendo porém violência nas minhas mãos, e sendo pura a minha oração. Ah! terra, não cubras o meu sangue; e não haja logar para o meu clamor! Eis que também agora está a minha testemunha no céu, e a minha testemunha nas alturas. Os meus amigos são os que zombam de mim; os meus olhos se desfazem em lágrimas diante de Deus. Ah! se se pudesse contender com Deus pelo homem, como o filho do homem pelo seu amigo! Porque se passarão poucos anos; e eu seguirei o caminho por onde não tornarei.

Almeida 1911 — Ortografia atualizada. Edição © 2026 Concordância. Atualização ortográfica feita pela Concordância, com auxílio de IA e revisão. Texto-base: Almeida, Edição Revista e Corrigida (1900/1911), domínio público; transcrição do Projeto Gutenberg (#62383).