Habacuque 1
A1911C · Almeida 1911 — Ortografia atualizada (Edição Concordância), 1911
A carga que viu o profeta Habacuque. Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? até quando gritarei a ti: Violência! e não salvarás? Por que razão me fazes ver a iniquidade, e vês a vexação? porque a destruição e a violência estão diante de mim, havendo também quem suscite a contenda e o litigio. Por esta causa a lei se afrouxa, e a sentença nunca sai; porque o ímpio cerca o justo, e sai a sentença torcida. Vede entre as nações, e olhai, e maravilhai-vos, e estai maravilhados; porque obro uma obra em vossos dias que não crereis, quando se vos contar. Porque eis que suscito os caldeus, nação amarga e apressada, que marcha sobre a largura da terra, para possuir moradas que não são suas. Horrível e terrível é; dela mesma sairá o seu juízo e a sua grandeza. E os seus cavalos são mais ligeiros do que os leopardos, e mais perspicazes do que os lobos à tarde, e os seus cavaleiros se espalham; os seus cavaleiros virão de longe; voarão como águias que se apressam à comida. Eles todos virão a fim de obrar violência: os seus rostos buscarão o oriente, e congregará os cativos como areia. E escarnecerão dos reis, e dos príncipes farão zombaria: eles se rirão de todas as fortalezas, porque amontoarão terra, e as tomarão. Então passará como vento, e traspassará, e se fará culpada, atribuindo este seu poder ao seu deus. Porventura não és tu desde sempre, ó Senhor meu Deus, meu Santo? nós não morreremos: ó Senhor, para juízo o puseste, e tu, ó Rocha, o fundaste para castigar. Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal, e a vexação não podes contemplar: porque olhas para os que obram aleivosamente? porque te calas quando o ímpio devora aquele que é mais justo do que ele? E porque farias os homens como os peixes do mar, como os reptis, que não têm quem os governe? Ele a todos tira com o anzol, apanhá-los-á com a sua rede, e os ajunta na sua varredoura: por isso ele se alegra e se regozija. Por isso sacrifica à sua rede, e queima incenso à sua varredoura; porque com elas se engordou a sua porção, e se engrossou a sua comida. Porventura por isso vazará a sua rede, e não poupará de matar os povos continuamente?
Almeida 1911 — Ortografia atualizada. Edição © 2026 Concordância. Atualização ortográfica feita pela Concordância, com auxílio de IA e revisão. Texto-base: Almeida, Edição Revista e Corrigida (1900/1911), domínio público; transcrição do Projeto Gutenberg (#62383).