Eclesiastes 6
A1911C · Almeida 1911 — Ortografia atualizada (Edição Concordância), 1911
Há um mal que tenho visto debaixo do sol, e mui frequente é entre os homens: Um homem a quem Deus deu riquezas, fazenda e honra, e nada lhe falta de tudo quanto a sua alma deseja, e Deus não lhe dá poder para daí comer, antes o estranho lho come: também isto é vaidade e uma má enfermidade. Se o homem gerar cem filhos, e viver muitos anos, e os dias dos seus anos forem muitos, porém a sua alma se não fartar do bem, e também não tiver sepultura, digo que um aborto é melhor do que ele. Porquanto debalde veio, e às trevas se vai, e de trevas se encobre o seu nome. E ainda que nunca viu o sol, nem o conheceu, mais descanso tem do que o tal. E, ainda que vivesse duas vezes mil anos e não visse o bem, porventura todos não vão para um mesmo logar? Todo o trabalho do homem é para a sua boca, e contudo nunca se enche a sua cobiça. Porque, que mais tem o sábio do que o tolo? e que mais tem o pobre que sabe andar perante os vivos? Melhor é a vista dos olhos do que o vaguear da cobiça: também isto é vaidade, e aflição de espírito. Seja qualquer o que for, já o seu nome foi nomeado, e sabe-se que é homem, e que não pode contender com o que é mais forte do que ele. Na verdade que há muitas coisas que multiplicam a vaidade: que mais tem o homem com elas! Porque quem sabe o que é bom nesta vida para o homem, durante o número dos dias da vida da sua vaidade, os quais gasta como sombra? porque quem declarará ao homem que é o que passará depois dele debaixo do sol?
Almeida 1911 — Ortografia atualizada. Edição © 2026 Concordância. Atualização ortográfica feita pela Concordância, com auxílio de IA e revisão. Texto-base: Almeida, Edição Revista e Corrigida (1900/1911), domínio público; transcrição do Projeto Gutenberg (#62383).