1 Samuel 24
A1911C · Almeida 1911 — Ortografia atualizada (Edição Concordância), 1911
E sucedeu que, voltando Saul de perseguir os filisteus, lhe anunciaram, dizendo: Eis que Davi está no deserto de En-Gedi. Então tomou Saul três mil homens, escolhidos dentre todo o Israel, e foi à busca de Davi e dos seus homens, até sobre os cumes das penhas das cabras monteses. E chegou a uns currais de ovelhas no caminho, onde estava uma caverna; e entrou nela Saul, a cobrir seus pés: e Davi e os seus homens estavam aos lados da caverna. Então os homens de Davi lhe disseram: Eis aqui o dia, do qual o Senhor te diz: Eis que te dou o teu inimigo nas tuas mãos, e far-lhe-has como te parecer bem aos teus olhos. E levantou-se Davi, e mansamente cortou a orla do manto de Saul. Sucedeu, porém, que depois o coração picou a Davi, por ter cortado a orla do manto de Saul. E disse aos seus homens: O Senhor me guarde de que eu faça tal coisa ao meu senhor, ao ungido do Senhor, estendendo eu a minha mão contra ele; pois é o ungido do Senhor. E com estas palavras Davi conteve os seus homens, e não lhes permitiu que se levantassem contra Saul: e Saul se levantou da caverna, e prosseguiu o seu caminho. Depois também Davi se levantou, e saiu da caverna, e gritou por detrás de Saul, dizendo: Rei, meu senhor! E, olhando Saul para traz, Davi se inclinou com o rosto em terra, e se prostrou. E disse Davi a Saul: Porque dás tu ouvidos às palavras dos homens que dizem: Eis que Davi procura o teu mal? Eis que este dia os teus olhos viram, que o Senhor hoje te pôs em minhas mãos nesta caverna, e alguns disseram que te matasse; porém a minha mão te poupou: porque disse: Não estenderei a minha mão contra o meu senhor, pois é o ungido do Senhor. Olha pois, meu pai, vês aqui a orla do teu manto na minha mão; porque, cortando-te eu a orla do manto, te não matei. Adverte, pois, e vê que não há na minha mão nem mal nem prevaricação nenhuma, e não pequei contra ti; porém tu andas à caça da minha vida, para ma tirar. Julgue o Senhor entre mim e ti, e vingue-me o Senhor de ti; porém a minha mão não será contra ti. Como diz o provérbio dos antigos: Dos ímpios procede a impiedade; porém a minha mão não será contra ti. Após quem saiu o rei de Israel? a quem persegues? a um cão morto? a uma pulga? O Senhor porém será juiz, e julgará entre mim e ti, e verá, e advogará a minha causa, e me defenderá da tua mão. E sucedeu que, acabando Davi de falar a Saul todas estas palavras, disse Saul: É esta a tua voz, meu filho Davi? Então Saul alçou a sua voz e chorou. E disse a Davi: Mais justo és do que eu; pois tu me recompensaste com bem, e eu te recompensei com mal. E tu mostraste hoje que usaste comigo bem; pois o Senhor me tinha posto em tuas mãos, e tu me não mataste. Porque, quem há que, encontrando o seu inimigo, o deixaria ir por bom caminho? o Senhor pois te pague com bem, pelo que hoje me fizeste. Agora pois eis que bem sei que certamente has de reinar, e que o reino de Israel há de ser firme na tua mão. Portanto agora jura-me pelo Senhor que não desarreigarás a minha semente depois de mim, nem desfarás o meu nome da casa de meu pai. Então jurou Davi a Saul. E foi Saul para a sua casa; porém Davi e os seus homens subiram ao logar forte.
Almeida 1911 — Ortografia atualizada. Edição © 2026 Concordância. Atualização ortográfica feita pela Concordância, com auxílio de IA e revisão. Texto-base: Almeida, Edição Revista e Corrigida (1900/1911), domínio público; transcrição do Projeto Gutenberg (#62383).