Job 41
A1911C · Almeida 1911 — Ortografia atualizada (Edição Concordância), 1911, Portugiesisch
Poderás tirar com anzol o leviatã? ou ligarás a sua língua com a corda? Podes pôr um junco no seu nariz? ou com um espinho furarás a sua queixada? Porventura multiplicará muitas suplicações para contigo? ou brandamente falará? Fará ele concertos contigo? ou o tomarás tu por escravo para sempre? Brincarás com ele, como com um passarinho? ou o atarás para tuas meninas? Os teus companheiros farão dele um banquete? ou o repartirão entre os negociantes? Encherás a sua pele de ganchos? ou a sua cabeça com arpéos de pescadores? Põe a tua mão sobre ele, lembra-te da peleja, e nunca mais tal intentarás. Eis que a sua esperança falhará: porventura também à sua vista será derribado? Ninguém há tão atrevido, que a despertá-lo se atreva: quem pois é aquele que ousa pôr-se em pé diante de mim? Quem me preveniu, para que eu haja de retribuir-lhe? pois o que está debaixo de todos os céus é meu. Não calarei os meus membros, nem a relação das suas forças, nem a graça da sua formação. Quem descobriria a superfície do seu vestido? quem entrará entre as suas queixadas dobradas? Quem abriria as portas do seu rosto? pois em roda dos seus dentes está o terror. As suas fortes escamas são excelentíssimas, cada uma fechada como com selo apertado. Uma à outra se chega tão perto, que nem um assopro passa por entre elas. Umas às outras se apegam: tanto se travam entre si, que não se podem separar. Cada um dos seus espirros faz resplandecer a luz, e os seus olhos são como as pestanas da alva. Da sua boca saem tochas: faíscas de fogo arrebentam dela. Dos seus narizes procede fumo, como duma panela fervente, ou duma grande caldeira. O seu halito faria incender os carvões: e da sua boca sai chama. No seu pescoço pousa a força: perante ele até a tristeza salta de prazer. Os músculos da sua carne estão pegados entre si: cada um está firme nele, e nenhum se move. O seu coração é firme como uma pedra e firme como parte da mó de baixo. Levantando-se ele, tremem os valentes: em razão dos seus abalos se purificam. Se alguém lhe tocar com a espada, essa não poderá penetrar, nem lança, dardo ou couraça. Ele reputa o ferro por palha, e o cobre por pau podre. A seta o não fará fugir: as pedras das fundas se lhe tornam em rastolho. As pedras atiradas estima como arestas, e ri-se do brandir da lança. Debaixo de si tem conchas pontiagudas: estende-se sobre coisas pontiagudas como na lama. As profundezas faz ferver, como uma panela: torna o mar como quando os unguentos fervem. Após ele alumia o caminho: parece o abismo tornado em brancura de cãs. Na terra não há coisa que se lhe possa comparar, pois foi feito para estar sem pavor. Todo o alto vê: é rei sobre todos os filhos de animais altivos.
Almeida 1911 — Updated spelling. Edition © 2026 Concordância. Spelling update made by Concordância, with AI assistance and review. Base text: Almeida, Revista e Corrigida edition (1900/1911), public domain; transcription from Project Gutenberg (#62383).