Job 31
A1911C · Almeida 1911 — Ortografia atualizada (Edição Concordância), 1911, Portugiesisch
Fiz concerto com os meus olhos: como pois atentaria numa virgem? Porque qual seria a parte de Deus de cima? ou a herança do Todo-poderoso para mim desde as alturas? Porventura não é a perdição para o perverso, o desastre para os que obram iniquidade? Ou não vê ele os meus caminhos, e não conta todos os meus passos? Se andei com vaidade, e se o meu pé se apressou para o engano (Pese-me em balanças fiéis, e saberá Deus a minha sinceridade), Se os meus passos se desviavam do caminho, e se o meu coração segue os meus olhos, e se às minhas mãos se apegou coisa alguma, Então semeie eu e outro coma, e seja a minha descendência arrancada até à raiz. Se o meu coração se deixou seduzir por uma mulher, ou se eu armei traições à porta do meu próximo, Então moa minha mulher para outro, e outros se encurvem sobre ela. Porque é uma infâmia, e é delito pertencente aos juízes. Porque fogo é que consomem até à perdição, e desarreigaria toda a minha renda. Se desprezei o direito do meu servo ou da minha serva, quando eles contendiam comigo, Então que faria eu quando Deus se levantasse? e, inquirindo a causa, que lhe responderia? Aquele que me fez no ventre não o fez também a ele? ou não nos formou do mesmo modo na madre? Se retive o que os pobres desejavam, ou fiz desfalecer os olhos da viúva, Ou só comi o meu bocado, e o órfão não comeu dele. (Porque desde a minha mocidade cresceu comigo como com seu pai, e o guiei desde o ventre de minha mãe), Se a alguém vi perecer por falta de vestido, e ao necessitado por não ter coberta, Se os seus lombos me não abençoaram, se ele não se aquentava com as peles dos meus cordeiros, Se eu levantei a minha mão contra o órfão, porquanto na porta via a minha ajuda, Então caia do ombro a minha espadoa, e quebre-se o meu braço do osso. Porque o castigo de Deus era para mim um assombro, e eu não podia suportar a sua alteza. Se no ouro pus a minha esperança, ou disse ao ouro fino: Tu és a minha confiança; Se me alegrei de que era muita a minha fazenda, e de que a minha mão tinha alcançado muito; Se olhei para o sol, quando resplandecia, ou para a lua, caminhando gloriosa, E o meu coração se deixou enganar em oculto, e a minha boca beijou a minha mão, Também isto seria delito pertencente ao juiz: pois assim negaria a Deus que está em cima. Se me alegrei da desgraça do que me tem ódio, e se eu exultei quando mal o achou. (Também não deixei pecar o meu paladar, desejando a sua morte com maldição), Se a gente da minha tenda não disse: Ah, quem nos desse da sua carne! nunca nos fartaríamos dela: O estrangeiro não passava a noite na rua; as minhas portas abria ao viandante. Se, como Adão, encobri as minhas transgressões, ocultando o meu delito no meu seio; Porque eu temia a grande multidão, e o desprezo das famílias me apavoraria, e eu me calaria, e não sairia da porta. Ah quem me dera um que me ouvisse! eis que o meu intento é que o Todo-poderoso me responda, e que o meu adversário escreva um livro. Por certo que o levaria sobre o meu ombro, sobre mim o ataria por coroa. O número dos meus passos lhe mostraria: como príncipe me chegaria a ele. Se a minha terra clamar contra mim, e se os seus regos juntamente chorarem, Se comi a sua novidade sem dinheiro, e sufoquei a alma dos seus donos, Por trigo me produza cardos, e por cevada joio. Acabaram-se as palavras de Jó.
Almeida 1911 — Updated spelling. Edition © 2026 Concordância. Spelling update made by Concordância, with AI assistance and review. Base text: Almeida, Revista e Corrigida edition (1900/1911), public domain; transcription from Project Gutenberg (#62383).