Job 21
A1911C · Almeida 1911 — Ortografia atualizada (Edição Concordância), 1911, Portugiesisch
Respondeu porém Jó, e disse: Ouvi atentamente as minhas razões; e isto vos sirva de consolações. Sofrei-me, e eu falarei: e, havendo eu falado, zombai. Porventura eu me queixo a algum homem? porém, ainda que assim fosse, porque se não angustiaria o meu espírito? Olhai para mim, e pasmai: e ponde a mão sobre a boca. Porque, quando me lembro disto, me perturbo, e a minha carne é sobresaltada de horror. Por que razão vivem os ímpios? envelhecem, e ainda se esforçam em poder? A sua semente se estabelece com eles perante a sua face; e os seus renovos perante os seus olhos. As suas casas têm paz, sem temor; e a vara de Deus não está sobre eles. O seu touro gera, e não falha: pare a sua vaca, e não aborta. Mandam fora as suas crianças, como a um rebanho, e seus filhos andam saltando. Levantam a voz, ao som do tamboril e da harpa, e alegram-se ao som dos órgãos. Na prosperidade gastam os seus dias, e num momento descem à sepultura. E, todavia, dizem a Deus: Retira-te de nós; porque não desejamos ter conhecimento dos teus caminhos. Quem é o Todo-poderoso, para que nós o sirvamos? e que nos aproveitará que lhe façamos orações? Vede porém que o seu bem não está na mão deles: esteja longe de mim o conselho dos ímpios! Quantas vezes sucede que se apaga a candeia dos ímpios, e lhes sobrevém a sua destruição? e Deus na sua ira lhes reparte dores! Porque são como a palha diante do vento, e como a pragana, que arrebata o redemoinho. Deus guarda a sua violência para seus filhos, e lhe dá o pago, que o sente. Seus olhos veem a sua ruína, e ele bebe do furor do Todo-poderoso. Porque, que prazer teria na sua casa, depois de si, cortando-se-lhe o número dos seus meses? Porventura a Deus se ensinaria ciência, a ele que julga os excelsos? Este morre na força da sua plenitude, estando todo quieto e sossegado. Os seus baldes estão cheios de leite, e os seus ossos estão regados de tutanos. E outro morre, ao contrário, na amargura do seu coração, não havendo comido do bem. Juntamente jazem no pó, e os bichos os cobrem. Eis que conheço bem os vossos pensamentos: e os maus intentos com que injustamente me fazeis violência. Porque direis: Onde está a casa do príncipe? e onde a tenda das moradas dos ímpios? Porventura o não perguntastes aos que passam pelo caminho? e não conheceis os seus sinais? Que o mau é preservado para o dia da destruição; e são levados no dia do furor. Quem acusará diante dele o seu caminho? e quem lhe dará o pago do que faz? Finalmente é levado às sepulturas, e vigia no montão. Os torrões do vale lhe são doces, e atrai a si a todo o homem; e diante de si há inumeráveis. Como pois me consolais com vaidade? pois nas vossas respostas ainda resta a transgressão.
Almeida 1911 — Updated spelling. Edition © 2026 Concordância. Spelling update made by Concordância, with AI assistance and review. Base text: Almeida, Revista e Corrigida edition (1900/1911), public domain; transcription from Project Gutenberg (#62383).