Job 15
A1911C · Almeida 1911 — Ortografia atualizada (Edição Concordância), 1911, Portugiesisch
Então respondeu Elifaz o temanita, e disse: Porventura dará o sábio por resposta ciência de vento? e encherá o seu ventre de vento oriental? Arguindo com palavras que de nada servem e com razões, com que nada aproveita? E tu tens feito vão o temor, e diminuis os rogos diante de Deus. Porque a tua boca declara a tua iniquidade; e tu escolheste a língua dos astutos. A tua boca te condena, e não eu, e os teus lábios testificam contra ti. És tu porventura o primeiro homem que foi nascido? ou foste gerado antes dos outeiros? Ou ouviste o secreto conselho de Deus? e a ti só limitaste a sabedoria? Que sabes tu, que nós não sabemos? e que entendes, que não haja em nós? Também há entre nós encanecidos e idosos, muito mais idosos do que teu pai. Porventura as consolações de Deus te são pequenas? ou alguma coisa se oculta em ti? Porque te arrebata o teu coração? e porque acenam os teus olhos? Para virares contra Deus o teu espírito, e deixares sair tais palavras da tua boca? Que é o homem, para que seja puro? e o que nasce da mulher, para que fique justo? Eis que nos seus santos não confiaria, e nem os céus são puros aos seus olhos. Quanto mais abominável e fedorento é o homem que bebe a iniquidade como a água?
Escuta-me, mostrar-to-hei: e o que vi te contarei (O que os sábios anunciaram, ouvindo-o de seus pais, e o não ocultaram. Aos quais somente se dera a terra, e nenhum estranho passou por méis deles): Todos os dias o ímpio se dá pena a si mesmo, e se reservam para o tirano um certo número de anos. O sonido dos horrores está nos seus ouvidos: até na paz lhe sobrevém o assolador. Não crê que tornará das trevas, e que está esperado da espada. Anda vagueando por pão, dizendo: Onde está? Bem sabe que já o dia das trevas lhe está preparado à mão. Assombram-no a angústia e a tribulação; prevalecem contra ele, como o rei preparado para a peleja. Porque estende a sua mão contra Deus, e contra o Todo-poderoso se embravece. Arremete contra ele com a dura cerviz, e contra os pontos grossos dos seus escudos. Porquanto cobriu o seu rosto com a sua gordura, e criou enxundia nas ilhargas. E habitou em cidades assoladas, em casas em que ninguém morava, que estavam a ponto de fazer-se montões de ruínas. Não se enriquecerá, nem subsistirá a sua fazenda, nem se estenderão pela terra as suas possessões. Não escapará das trevas; a chama do fogo secará os seus renovos, e ao assopro da sua boca desaparecerá. Não confie pois na vaidade enganando-se a si mesmo, porque a vaidade será a sua recompensa. Antes do seu dia ela se lhe cumprirá; e o seu ramo não reverdecerá. Sacudirá as suas uvas verdes, como as da vide, e deixará cair a sua flor como a da oliveira. Porque o ajuntamento dos hipócritas se fará estéril, e o fogo consumirá as tendas do soborno. Concebem o trabalho, e parem a iniquidade, e o seu ventre prepara enganos.
Almeida 1911 — Updated spelling. Edition © 2026 Concordância. Spelling update made by Concordância, with AI assistance and review. Base text: Almeida, Revista e Corrigida edition (1900/1911), public domain; transcription from Project Gutenberg (#62383).