Ecclesiastes 9
A1911C · Almeida 1911 — Ortografia atualizada (Edição Concordância), 1911, Kireno
Deveras revolvi todas estas coisas no meu coração, para claramente entender tudo isto: que os justos, e os sábios, e as suas obras, estão nas mãos de Deus, como também que não conhece o homem nem o amor nem o ódio, por tudo o que passa perante a sua face. Tudo sucede a uns, como a todos os outros; o mesmo sucede ao justo e ao ímpio; ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento. Este mal há entre tudo quanto se faz debaixo do sol, que a todos sucede o mesmo; e que também o coração dos filhos dos homens esteja cheio de maldade, e que haja desvarios no seu coração, na sua vida, e depois se vão aos mortos. Porque para o que acompanha com todos os vivos há esperança (porque melhor é o cão vivo do que o leão morto). Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tão pouco têm eles jamais paga, mas a sua memória ficou entregue ao esquecimento. Até o seu amor, até o seu ódio, e até a sua inveja já pereceu, e já não têm parte alguma neste seculo, em coisa alguma do que se faz debaixo do sol. Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe com bom coração o teu vinho, pois já Deus se agrada das tuas obras. Em todo o tempo sejam alvos os teus vestidos, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça. Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias da vida da tua vaidade, os quais Deus te deu debaixo do sol, todos os dias da tua vaidade: porque esta é a tua porção nesta vida, e no teu trabalho, em que tu trabalhaste debaixo do sol. Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vais, não há obra, nem industria, nem ciência, nem sabedoria alguma.
Volvi-me, e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos valentes a peleja, nem tão pouco dos sábios o pão, nem tão pouco dos prudentes as riquezas, nem tão pouco dos entendidos o favor, mas que o tempo e o acaso lhes sucedem a todos. Que também o homem não sabe o seu tempo; assim como os peixes que se pescam com a rede maligna, e como os passarinhos que se prendem com o laço, assim se enlaçam também os filhos dos homens no mau tempo, quando cai de repente sobre eles. Também vi esta sabedoria debaixo do sol, que foi para comigo grande; Houve uma pequena cidade em que havia poucos homens, e veio contra ela um grande rei, e a cercou e levantou contra ela grandes tranqueiras: E se achou nela um sábio pobre, que livrou aquela cidade pela sua sabedoria, e ninguém se lembrava daquele pobre homem. Então disse eu: Melhor é a sabedoria do que a força, ainda que a sabedoria do pobre foi desprezada, e as suas palavras não foram ouvidas. As palavras dos sábios em silêncio se devem ouvir, mais do que o clamor do que domina sobre os tolos. Melhor é a sabedoria do que as armas de guerra, porém um só pecador destrói muitos bens.
Almeida 1911 — Updated spelling. Edition © 2026 Concordância. Spelling update made by Concordância, with AI assistance and review. Base text: Almeida, Revista e Corrigida edition (1900/1911), public domain; transcription from Project Gutenberg (#62383).