Skip to content

Job 19

A1911C · Almeida 1911 — Ortografia atualizada (Edição Concordância), 1911, portugais

Each part of the strip is an era. Hover, tap or use the arrow keys to see its name and period. The filled dot marks when the episode happens; the ring, when the book was written. No certain date — Jó e os três amigos dialogam sobre o sofrimento Written: c. 1450–1000 BC (tradition) · c. 600–400 BC (scholarship)
Jó queixa-se da obstinação e dureza dos seus amigos

Respondeu porém Jó, e disse: Até quando entristecereis a minha alma, e me quebrantareis com palavras? Já dez vezes me envergonhastes; vergonha não tendes: contra mim vos endureceis. Embora haja eu, na verdade, errado, comigo ficará o meu erro. Se deveras vos levantais contra mim, e me arguis com o meu opróbrio, Sabei agora que Deus é o que me transtornou, e com a sua rede me cercou. Eis que clamo: Violência; porém não sou ouvido; grito: Socorro; porém não há justiça. O meu caminho entrincheirou, e já não posso passar, e nas minhas veredas pôs trevas. Da minha honra me despojou; e tirou-me a coroa da minha cabeça. Derribou-me ele em roda, e eu me vou, e arrancou a minha esperança, como a uma árvore. E fez inflamar contrar mim a sua ira, e me reputou para consigo, como a seus inimigos. Juntas vieram as suas tropas, e prepararam contra mim o seu caminho, e se acamparam ao redor da minha tenda. Pôs longe de mim a meus irmãos, e os que me conhecem deveras me estranharam. Os meus parentes me deixaram, e os meus conhecidos se esqueceram de mim. Os meus domésticos e as minhas servas me reputaram como um estranho, e vim a ser um estrangeiro aos seus olhos. Chamei a meu criado, e ele me não respondeu, suplicando-lhe eu por minha própria boca. O meu bafo se fez estranho a minha mulher, e eu a suplico pelos filhos do meu corpo. Até os rapazes me desprezam, e, levantando-me eu, falam contra mim. Todos os homens do meu secreto conselho me abominam, e até os que eu amava se tornaram contra mim. Os meus ossos se apegaram à minha pele e à minha carne, e escapei só com a pele dos meus dentes. Compadecei-vos de mim, amigos meus, compadecei-vos de mim, porque a mão de Deus me tocou. Porque me perseguis assim como Deus, e da minha carne vos não fartais? Quem me dera agora, que as minhas palavras se escrevessem! quem me dera, que se gravassem num livro! E que, com pena de ferro, e com chumbo, para sempre fossem esculpidas na rocha! Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que estará em pé no derradeiro dia sobre o pó. E depois de roída a minha pele, contudo desde a minha carne verei a Deus, A quem eu verei por mim mesmo, e os meus olhos o verão, e não outro: e por isso os meus rins se consomem no meu seio. Na verdade, que devíeis dizer: Porque o perseguimos? Pois a raiz da acusação se acha em mim. Temei vós mesmos a espada; porque o furor traz os castigos da espada, para saberdes que haverá um juízo.

Almeida 1911 — Updated spelling. Edition © 2026 Concordância. Spelling update made by Concordância, with AI assistance and review. Base text: Almeida, Revista e Corrigida edition (1900/1911), public domain; transcription from Project Gutenberg (#62383).