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Ecclesiastes 9

A1911C · Almeida 1911 — Ortografia atualizada (Edição Concordância), 1911, portugais

Each part of the strip is an era. Hover, tap or use the arrow keys to see its name and period. The filled dot marks when the episode happens; the ring, when the book was written. c. 970–930 BC — O Pregador reflete sobre o sentido da vida; a tradição o associa a Salomão · uncertain dates Written: c. 970–930 BC (tradition) · c. 450–180 BC (scholarship)
As mesmas coisas sucedem aos justos e injustos. Gozemos os bens que Deus nos dá

Deveras revolvi todas estas coisas no meu coração, para claramente entender tudo isto: que os justos, e os sábios, e as suas obras, estão nas mãos de Deus, como também que não conhece o homem nem o amor nem o ódio, por tudo o que passa perante a sua face. Tudo sucede a uns, como a todos os outros; o mesmo sucede ao justo e ao ímpio; ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento. Este mal há entre tudo quanto se faz debaixo do sol, que a todos sucede o mesmo; e que também o coração dos filhos dos homens esteja cheio de maldade, e que haja desvarios no seu coração, na sua vida, e depois se vão aos mortos. Porque para o que acompanha com todos os vivos há esperança (porque melhor é o cão vivo do que o leão morto). Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tão pouco têm eles jamais paga, mas a sua memória ficou entregue ao esquecimento. Até o seu amor, até o seu ódio, e até a sua inveja já pereceu, e já não têm parte alguma neste seculo, em coisa alguma do que se faz debaixo do sol. Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe com bom coração o teu vinho, pois já Deus se agrada das tuas obras. Em todo o tempo sejam alvos os teus vestidos, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça. Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias da vida da tua vaidade, os quais Deus te deu debaixo do sol, todos os dias da tua vaidade: porque esta é a tua porção nesta vida, e no teu trabalho, em que tu trabalhaste debaixo do sol. Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vais, não há obra, nem industria, nem ciência, nem sabedoria alguma.

A sabedoria é muitas vezes mais útil aos outros do que àquele que a possue

Volvi-me, e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos valentes a peleja, nem tão pouco dos sábios o pão, nem tão pouco dos prudentes as riquezas, nem tão pouco dos entendidos o favor, mas que o tempo e o acaso lhes sucedem a todos. Que também o homem não sabe o seu tempo; assim como os peixes que se pescam com a rede maligna, e como os passarinhos que se prendem com o laço, assim se enlaçam também os filhos dos homens no mau tempo, quando cai de repente sobre eles. Também vi esta sabedoria debaixo do sol, que foi para comigo grande; Houve uma pequena cidade em que havia poucos homens, e veio contra ela um grande rei, e a cercou e levantou contra ela grandes tranqueiras: E se achou nela um sábio pobre, que livrou aquela cidade pela sua sabedoria, e ninguém se lembrava daquele pobre homem. Então disse eu: Melhor é a sabedoria do que a força, ainda que a sabedoria do pobre foi desprezada, e as suas palavras não foram ouvidas. As palavras dos sábios em silêncio se devem ouvir, mais do que o clamor do que domina sobre os tolos. Melhor é a sabedoria do que as armas de guerra, porém um só pecador destrói muitos bens.

Almeida 1911 — Updated spelling. Edition © 2026 Concordância. Spelling update made by Concordância, with AI assistance and review. Base text: Almeida, Revista e Corrigida edition (1900/1911), public domain; transcription from Project Gutenberg (#62383).