1 Samuel 14
A1911C · Almeida 1911 — Ortografia atualizada (Edição Concordância), 1911, portugais
Sucedeu pois que um dia disse Jônatas, filho de Saul, ao moço que lhe levava as armas: Vem, passemos à guarnição dos filisteus, que está lá daquela banda. Porém não o fez saber a seu pai. E estava Saul à extremidade de Gibeá, debaixo da romeira que estava em Migrom; e o povo que havia com ele eram uns seiscentos homens. E Aías, filho de Aitube, irmão de Icabode, o filho de Fineias, filho de Eli, sacerdote do Senhor em Siló, trazia o éfode: porém o povo não sabia que Jônatas tinha ido. E entre os passos pelos quais Jônatas procurava passar à guarnição dos filisteus, desta banda havia uma penha aguda, e da outra banda uma penha aguda: e era o nome de uma Bozez, e o nome da outra Sené. Uma penha para o norte estava defronte de Micmás, e a outra para o sul defronte de Gibeá. Disse pois Jônatas ao moço que lhe levava as armas: Vem, passemos à guarnição destes incircuncisos; porventura obrará o Senhor por nós, porque para com o Senhor nenhum impedimento há de livrar com muitos ou com poucos. Então o seu pagem de armas lhe disse: Faze tudo o que tens no coração; volta, eis-me aqui contigo, conforme ao teu coração. Disse pois Jônatas: Eis que passaremos àqueles homens, e nos descobriremos a eles. Se nos disserem assim: Parai até que cheguemos a vós; então ficaremos no nosso logar, e não subiremos a eles. Porém, dizendo assim: Subi a nós; então subiremos, pois o Senhor os tem entregado na nossa mão, e isto nos será por sinal. Descobrindo-se ambos eles pois à guarnição dos filisteus, disseram os filisteus: Eis que já os hebreus saíram das cavernas em que se tinham escondido. E os homens da guarnição responderam a Jônatas e ao seu pagem de armas, e disseram: Subi a nós, e nós vo-lo ensinaremos. E disse Jônatas ao seu pagem de armas: Sobe atrás de mim, porque o Senhor os tem entregado na mão de Israel. Então trepou Jônatas com os pés e com as mãos, e o seu pagem de armas atrás dele: e caíram diante de Jônatas, e o seu pagem de armas os matava atrás dele. E sucedeu esta primeira desfeita, em que Jônatas e o seu pagem de armas feriram até uns vinte homens, quase no meio de uma jeira de terra que uma junta de bois podia lavrar. E houve tremor no arraial, no campo e em todo o povo; também a mesma guarnição e os destruidores tremeram, e até a terra se alvoroçou, porquanto era tremor de Deus. Olharam pois as sentinelas de Saul em Gibeá de Benjamim, e eis que a multidão se derramava, e fugia batendo-se. Disse então Saul ao povo que estava com ele: Ora numerai, e vede quem é que saiu dentre nós. E numeraram, e eis que nem Jônatas nem o seu pagem de armas estavam ali. Então Saul disse a Aías: Traze aqui a arca de Deus (porque naquele dia estava a arca de Deus com os filhos de Israel). E sucedeu que, estando Saul ainda falando com o sacerdote, o alvoroço que havia no arraial dos filisteus ia crescendo muito, e se multiplicava, pelo que disse Saul ao sacerdote: Retira a tua mão. Então Saul e todo o povo que havia com ele se convocaram, e vieram à peleja; e eis que a espada dum era contra o outro, e houve mui grande tumulto. Também com os filisteus havia hebreus, como de antes, que subiram com eles ao arraial em redor; e também estes se ajuntaram com os israelitas que estavam com Saul e Jônatas. Ouvindo pois todos os homens de Israel que se esconderam pela montanha de Efraim que os filisteus fugiam, eles também os perseguiram de perto na peleja. Assim livrou o Senhor a Israel naquele dia: e o arraial passou a Bete-Áven.
E estavam os homens de Israel já exaustos naquele dia, porquanto Saul conjurou o povo, dizendo: Maldito o homem que comer pão até à tarde, para que me vingue de meus inimigos. Pelo que todo o povo se absteve de provar pão. E toda a terra chegou a um bosque: e havia mel na superfície do campo. E, chegando o povo ao bosque, eis que havia um manancial de mel: porém ninguém chegou a mão à boca, porque o povo temia a conjuração. Porém Jônatas não tinha ouvido quando seu pai conjurava o povo, e estendeu a ponta da vara que tinha na mão, e a molhou no favo de mel; e, tornando a mão à boca, aclararam-se os seus olhos. Então respondeu um do povo, e disse: Solenemente conjurou teu pai o povo, dizendo: Maldito o homem que comer hoje pão. Pelo que o povo desfalecia. Então disse Jônatas: Meu pai tem turbado a terra; ora vede como se me aclararam os olhos por ter gostado um pouco deste mel. Quanto mais se o povo hoje livremente tivesse comido do despojo que achou de seus inimigos. Porém agora não foi tão grande o estrago dos filisteus. Feriram porém aquele dia aos filisteus, desde Micmás até Aijalom, e o povo desfaleceu em extremo. Então o povo se lançou ao despojo, e tomaram ovelhas, e vacas, e bezerros, e os degolaram no chão; e o povo os comeu com sangue. E o anunciaram a Saul, dizendo: Eis que o povo peca contra o Senhor, comendo com sangue. E disse ele: Aleivosamente obrastes; revolvei-me hoje uma grande pedra. Disse mais Saul: Derramai-vos entre o povo, e dizei-lhes: Trazei-me cada um o seu boi, e cada um a sua ovelha, e degolai-os aqui, e comei, e não pequeis contra o Senhor, comendo com sangue. Então todo o povo trouxe de noite, cada um com a sua mão, o seu boi, e os degolaram ali. Então edificou Saul um altar ao Senhor: este foi o primeiro altar que edificou ao Senhor.
Depois disse Saul: Desçamos de noite atrás dos filisteus, e despojemo-los, até que amanheça a luz, e não deixemos de resto um homem deles. E disseram: Tudo o que parecer bem aos teus olhos faze. Disse porém o sacerdote: Cheguemo-nos aqui a Deus. Então consultou Saul a Deus, dizendo: Descerei atrás dos filisteus? entregá-los-ás na mão de Israel? Porém aquele dia lhe não respondeu. Então disse Saul: Chegai-vos para cá de todos os chefes do povo, e informai-vos, e vede em que se cometeu hoje este pecado; Porque vive o Senhor que salva a Israel, que, ainda que fosse em meu filho Jônatas, certamente morrerá. E nenhum de todo o povo lhe respondeu. Disse mais a todo o Israel: Vós estareis duma banda, e eu e meu filho Jônatas estaremos da outra banda. Então disse o povo a Saul: Faze o que parecer bem aos teus olhos. Falou pois Saul ao Senhor Deus de Israel: Mostra o inocente. Então Jônatas e Saul foram tomados por sorte, e o povo saiu livre. Então disse Saul: Lançai a sorte entre mim e Jônatas, meu filho. E foi tomado Jônatas. Disse então Saul a Jônatas: Declara-me o que tens feito. E Jônatas lho declarou, e disse: Tão somente gostei um pouco de mel com a ponta da vara que tinha na mão; eis que devo morrer. Então disse Saul: Assim me faça Deus, e outro tanto, que com certeza morrerás, Jônatas. Porém o povo disse a Saul: Morrerá Jônatas, que obrou tão grande salvação em Israel? nunca tal suceda; vive o Senhor, que não lhe há de cair no chão um só cabelo da sua cabeça! pois com Deus fez isso hoje. Assim o povo livrou a Jônatas, para que não morresse. E Saul deixou de seguir os filisteus: e os filisteus se foram ao seu logar. Então tomou Saul o reino sobre Israel; e pelejou contra todos os seus inimigos em redor: contra Moabe, e contra os filhos de Amom, e contra Edom, e contra os reis de Zobá, e contra os filisteus, e para onde quer que se tornava executava castigos. E houve-se valorosamente, e feriu aos amalequitas: e libertou a Israel da mão dos que o saqueavam. E os filhos de Saul eram Jônatas, e Isvi, e Malquisua: e os nomes de suas duas filhas eram estes: o nome da mais velha Merabe, e o nome da mais nova, Mical. E o nome da mulher de Saul, Ainoã, filha de Aimaás: e o nome do general do exército, Abner, filho de Ner, tio de Saul. E Quis, pai de Saul, e Ner, pai de Abner, eram filhos de Abiel. E houve uma forte guerra contra os filisteus, todos os dias de Saul: pelo que Saul a todos os homens valentes e valorosos que via os agregava a si.
Almeida 1911 — Updated spelling. Edition © 2026 Concordância. Spelling update made by Concordância, with AI assistance and review. Base text: Almeida, Revista e Corrigida edition (1900/1911), public domain; transcription from Project Gutenberg (#62383).